Novidades na Genética do cancer

janeiro 23, 2010

Dois trabalhos realizados por um grupo de pesquisadores de nove instituições e publicados no número de 14 de janeiro da revista Nature demonstram como as novas técnicas de sequenciamento podem fornecer informações sobre como e quando ocorrem os processos associados ao cancer, isto é, as mutações, as vias de reparo do DNA, as redes gênicas e sua interação com o ambiente.

Em um deles, sequenciou-se o genoma de uma linhagem ceular proveniente de uma metástase de medula óssea de um paciente com cancer de pulmão de pequenas células.
Esse é o cancer típico induzido pelo fumo e o sequenciamento mostra uma assinatura genômica característica de alguns dos 60 ou mais carcinógenos presentes na fumaça do tabaco.

O segundo trabalho compara a sequência completa de uma linhagem de um melanoma com a linhagem não maligna do mesmo indivíduo. É a publicação da primeira análise mutacional completa de um tumor sólido que revela uma assinatura genômica que reflete o dano do DNA devido à exposição à luz ultravioleta.

Michael Stratton, pesquisador do Wellcome Trust Sanger Institute, Hinxton, Inglaterra, coordenou os trabalhos sobre melanoma. Em uma entrevista à revista Nature ele conta que os dados do sequenciamento constituem apenas o primeiro passo. Depois disso os autores tem que identificar as mutações que contribuem para cada tipo de cancer. Para isso eles devem sequenciar genomas de células sadias e compará-las às sequências das células do tumor para ver as diferenças. Então, identificam todas as mutações que foram herdadas e que, provavelmente não contribuem para o cancer e selecionam as que têm maior probabilidade de estarem envolvidas com o cancer.

Dessa forma identificaram mais de 33 000 mutações no melanoma e mais de 23 000 no cancer de pulmão. O conjunto revelou a história temporal do DNA, isto é, como e quando as mudanças foram ocorrendo as “letras” caindo, sendo adicionadas ou mudando de lugar. Importante notar que todas essas alterações acontecem muito antes do tumor se manifestar. Mais surpreendente é que esses dados mostraram as evidências sobre os mecanismos de reparo do DNA das células. Esses resultados ilustram o poder do sequenciamento do genoma do cancer. É como uma escavação arqueológica revelando os sinais dos processos que causam dano no DNA, reparo, mutação e seleção das alterações que resultam em vantagem proliferativa e que acontecem anos antes do cancer se tornar sintomático.

Para Peter Campbell, que liderou a pesquisa do tumor de pulmão,  o sequenciamento de genomas de cancer individuais ainda é muito caro e demorado para ser feito de rotina, mas considera que o esforço vale a pena porque esse tipo de pesquisa pode levar a uma melhoria no diagnóstico precoce. Uma vez identificadas as mutações que causam cancer o monitoramento do tratamento também se torna possivel, além de abrir caminho para a descoberta de novos fármacos.

As empresas de tecnologia que desenvolvem sequenciadores cada vez mais potentes também tem uma grande contribuição. Quando surgiram as novas gerações de sequenciadores era possível identificar 25 pares de bases de cada vez. Evoluiu-se para 100 e devem continuar melhorando. Isso vai fazer com que o custo caia e a acurácia aumente.

Só nos resta saber quando e quanto nossos pacientes irão se beneficiar dessas novas descobertas.

Fonte

Nature 463, 191-196 (14 January 2010) – A comprehensive catalogue of somatic mutations from a human cancer genome.
Nature 463, 184-190 (14 January 2010) A small-cell lung cancer genome with complex signatures of tobacco exposure.
http://www.nature.com/nature/journal/v463/n7278/full/7278134a.html – Making the paper: Michael Stratton & Peter Campbell – Genome sequences reveal timeline of cancer development.

A Genética no Mundo e …no Brasil

julho 3, 2009

O CDC (Center for Disease Control and Prevention) e o NIH (National Institutes of Health)  criaram uma rede que pretende traduzir os conhecimentos da Genômica para a prática clínica e prevenção de doenças. “Genomic Applications in Practice and Prevention Network” ou  GAPPNet  é uma iniciativa que congrega, como colaboradores, vários pilares da área acadêmica, governamental, saude pública e industrial, bem como profissionais de saude e usuários.
Considerando que existem informações desencontradas sobre as descobertas genéticas e as possibilidades da utilização dessas descobertas, tanto ao nível dos consumidores quanto dos profissionais e serviços de saúde, a rede pretende:
1) sintetizar o conhecimento e promover sua divulgação;
2) desenvolver recomendações baseadas em evidências;
3) avaliar a validade, utilidade e impacto das novas pesquisas no mundo real;
4) desenvolver programas modelo com monitoração dos resultados.
O artigo completo que explica esse programa está disponível no site da CDC – http://www.cdc.gov/genomics/update/file/print/GAPPNet.pdf

Claro, isso acontece nos Estados Unidos. Aqui, a prometida implantação da Genética no SUS nem saiu do papel…..

Leia o manifesto da Sociedade brasileira de Genética Médica http://www.sbgm.org.br/

Quem tem medo da Genética?

outubro 4, 2008

Incrível, estou lendo um trabalho sobre a profissão de Aconselhador Genético e comecei a ficar revoltada…

Não se aprova a política de Genética Clínica no SUS

Não se pode promover a execução de testes para diagnósticos de heterozigotos para as doenças mais comuns em judeus.

Um projeto de criação de um Centro de Genética em um dos melhores hospitais do pais não  foi aprovado.

As clínicas de oncogenética quase não recebem pacientes.

Ninguém quer geneticista no berçário dos hospitais.

Os bons citogeneticistas são dispensados dos melhores laboratórios do país.

Os clínicos, em geral não sabem nada de genética, pedem exames e não sabem o que fazer com o resultado.

Muitos geneticistas não sabem interpretar resultados de exames laboratoriais.

As clínicas de reprodução assistida não investigam doenças genéticas antes de tratamentos carésimos.

As clínicas universitárias que atendem pacientes com suspeita de doença genética estão lotadas e com fila de espera.

E células tronco embrionárias é assunto de 1ª. Página de jornal!!!!!

Discute-se abortos de anencéfalos!

Síndrome de Down é assunto de novela!

O que acontece nesse país?

REVENDO CONCEITOS – ASSIM É A CIÊNCIA

maio 9, 2008

A descoberta de uma anomalia cromossômica específica associada a um tipo específico de câncer constitui um dos paradigmas da Genética. É claro, estamos falando do cromossomo Philadelphia (Ph), produto da translocação entre os cromossomos 9 e 22, e da Leucemia Mielóide Crônica (LMC), identificado em 1960. A descoberta de uma droga desenhada para bloquear, especificamente, o produto dessa translocação, uma proteína do tipo tirosino-quinase, também constitui um paradigma. Inúmeros trabalhos, inclusive com amostras brasileiras, mostraram que o imatinib era superior a todos os outros tratamentos anteriores realizados em pacientes com LMC. Em cerca de 70% a 90% dos pacientes que recebem essa droga na fase crônica ou inicial da doença os sintomas desaparecem, juntamente com o cromossomo Ph. Mas, a maioria desses pacientes não pode deixar de tomar o remédio (que, aliás, é caríssimo). Isso quer dizer que as células com o cromossomo Ph não morrem, só param de funcionar enquanto o remédio está agindo. Além disso, o remédio não funciona em uma parte dos pacientes e em outros, ele para de funcionar depois de algum tempo. Mais alguns trabalhos científicos mostraram que esses pacientes tinham uma mutação que fazia com que a forma da proteína produzida era um pouco diferente e assim o remédio não encaixava direito. Os pesquisadores das indústrias farmacêuticas desenharam outros medicamentos parecidos que poderiam ser utilizados nesses pacientes. Mas, a observação de que as células malignas não morrem, só param de funcionar persistiu também com esses novos medicamentos. Parece que agora os cientistas estão revendo seus conceitos e começam a achar que o Interferon alfa (IFN-α) que era utilizado antes do imatinib, de fato pode eliminar a população de células malignas não só nos casos de LMC como em outras doenças mieloproliferativas. Por exemplo, os clínicos começaram a observar que os pacientes que podiam descontinuar o uso do imatinib tinham tomado IFN-α antes. Será que as indústrias farmacêuticas irão investir mais nas pesquisas do mecanismo de atuação do IFN-α na LMC ?

 

Mais informações:Nature Medicine, may 2008, Volume 14 no.5 pp494-4965

http://www.CMLALLIANCE.net

A Genética e as disparidades na saúde pública.

abril 10, 2008

A Genética e as disparidades na saúde pública.

O National Institute of Health (NIH) criou no último dia 17 de março, um novo Centro de pesquisa (NICGHD) no campus de Bethesda, USA, para avaliar como as diferenças genéticas das populações afetam a saúde pública.

Vários trabalhos científicos mostram que certas doenças como obesidade, doenças coronarianas e certos tipos de câncer são mais prevalentes e mais resistentes ao tratamento nas populações Afro-descendentes e Latinas. Nesse novo centro serão desenvolvidas pesquisas que, com um enfoque genômico, irão avaliar também as inter-relações clínicas e ambientais.

O NICHGD será dirigido pelo geneticista Charles Rotimi e vai oferecer oportunidades para estudantes e cientistas de grupos minoritários americanos e de paises em desenvolvimento. Só resta saber se algum brasileiro se interessar e conseguir participar em algum desses projetos vai conseguir aplicar seus conhecimentos no Brasil….

Quem quiser saber mais é só entrar na página de novidades do NIH.

http://www.genome.gov/26525381

Clborovik’s Weblog

abril 9, 2008

Clborovik’s blog 

Teste

abril 9, 2008

Bem, até que enfim consigo colocar esse programa no ar. Não está exatamente do jeito que eu queria, mas já dá para ser utilizado.

Esse programa, ou melhor, Estudo Dirigido para o Aprendizado de Citogenética, foi elaborado pelo Ricardo sob minha orientação. Foi o trabalho de conclusão do curso de especialização do Einstein.

Bom, divirtam-se e coloquem seus comentários para que possamos melhorar o programa.

Cleide

http://www.slideboom.com/presentations/2200/Aprenda-Citogenetica-Humana


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